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domingo, 12 de fevereiro de 2012

Tango Porteno

Numa noite inesquecivel em Buenos Aires, contemplei o Tango Portenho. Pra mim o show mais dificil de se assisitir!  Dificil escolher o que olhar, os 12 musicos, ou os 12 bailarinos!!! Mas pudera! o palco era GIGANTE, nunca vi algo parecido, desse tamanho.
O cenario era fiel recriacao desde o inicio do tango ate os dias de hoje. 
 

Nessa parte do show a bailarina danca de olhos vendados, e no final o rapaz a gira nessa tira de pano e a arremessa bem longe! Um efeito maravilhoso!

Isso nao eh montagem! eles realmente estao dentro de quadrados (vitrines). Um mega cenario, um mega palco
Essa moca, danca com um amigo imaginario, que ela mesmo controla com seu braco esquerdo! um show de interpretacao!!! Magnifico!!!
E a noite continuou Palermo a dentro! Argentina e seus maravilhosos vinhos!

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Sanaa, Lémen

  Samuel Aranda / New York Times -
Nesta foto fornecida na sexta-feira 10 de fevereiro de 2012 Samuel Aranda, Espanha, por The New York Times, mostra uma mulher acolhendo um ferido durante protestos contra o presidente Saleh em Sanaa, Iémen, 15 de outubro de 2011.
(AP Photo / Samuel Aranda / New York Times)

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

"O canto dos sátiros"

  Esses dias li que tragédia significa "cântico dos sátiros", seria uma espécie de canto do bode que esta prestes a ser oferecido em sacrifício a Dionisio. Tirando isso do mito e trazendo mas pra nossa realidade contemporânea, seria a mais bela forma de se viver a vida, eu venho acreditando que a sátira corrosiva pode ser uma ideologia de vida.
  Cada vez mais nos sentimos ilhados por tantas correntes pseudo-evoluidas baseada em pura desinformaçäo e melindres acadêmico, isso sem falar do lixäo de sempre, da tv, modinhas, o funk carioca, o "sertanojo" universitário, e o bando de molecada EMO vestindo-se como punk, só que mais elitizado, ou melhor, estilizado, mas no fundo näo passam de revoltados "do bem" sem conhecimento de mundo. Mal sabem eles que o Punk era algo assim, digamos, mais sujo, quase desdentado, uma negaçäo social que era um protesto mais eficaz, enquanto que EMO rasga o cabelo para ir ao shopping e ser parecido com o Fiuk.  E a ilha dos sátiros segue seleta a milhares de anos daqui.
 Em meio a vinhos e pizzas, uma vez disse a uma amiga, que pensei um dia estudar antropologia. Ela, que trabalha como professora de artes, me interrompeu pra dizer que a vida dentro dos limites acadêmico era uma barreira para a arte e as vezes até para o conhecimento, mas eu retomei e disse que havia percebido isso e que esse meu pensamento bobo mas era um sonho morto. Na verdade eu quero conhecer os limites do mundo pela vivência, viajar, percorrer, perceber, registrar, "correr o mundo, correr perigo" (falei solto assim pra ela ).
  Nessa hora percebi que ela se sentiu um pouco insultada por sua própria colocaçäo que reafirmei, mas juro que näo fiz e näo faço pouco caso da vida acadêmica, só näo quero pra mim. Uma vez que viver do conhecimento seria repassa-lo, näo me interessa como carreira de vida. Sou bem despretensioso quanto a academia e seus figurinos, apenas sou um curioso de mundo, e ponto.
   A dois dias atrás peguei um táxi e sai sem rumo pelas noites de Buenos Aires a procura de boa musica, acabei encontrando boas amizades de mochileiros noroegueses "abrasileirados ". Ao som de uma salsa cubana concordamos o quanto se aprende viajando e conhecendo lugares e pessoas, equivale a muitos anos de sala de aula. Filhos de um violochelista brasileiro que se consagrou na Europa por tocar na orquestra da Filarmonica da Noroega e por ter trabalhado num trio com ninguem menos que Paquito d' Riviera! Os dois seguem trabalhando 3 meses na Noroega e depois viajando 5 meses pelo mundo. Acabamos por nos conhecer em um bar em San telmo (B. Aires) e encontramos lugares comum entre essa coisa de "mochilar".

   Sobre essa filosofia, a
ndo aceitando "nossa condenaçäo a liberdade" que tanto falava Sartre, sem entrar em discussäo sobre a questäo "liberdade",eu penso que cada um cria seus mundos e suas crenças mesmo usando as convençöes que ja estäo disponíveis, li algo a respeito e tendo a concordar: "Mundos säo criados por palavras, näo apenas por martelos e arames". 


 ... Ao analizar as teorias de três grandes analistas da chamada psicoterapia profunda - Sigmund Freud, Carl Gustav Jung e Alfred Adler - Hilman revela o trabalho analítico de uma óptica ficcional. Para ele, as tramas säo nossas teorias, a maneira como organizamos as intençöes da natureza humana para que possamos entender o porquê da sequência de eventos em uma história. Para curar um sintoma é preciso curar a ficçäo na qual a pessoa imagina viver. (ficçöes que curam, James Hilman) Texto de Lúcia Rosenberg a revista mente e cérebro... 



Acredito que venho criando a minha ficçäo a fim de conhecer, sensorialmente perceber e aprender com outras ficçöes, tenho interesse pela "a historia de cada um", desde os detalhes ao acaso ,o  "Quod Cuique Evenit" que Santo Agostinho fala em cidade de Deus.
Parte dessa curiosidade e' uma inquietaçäo existencial que eu tenho ha alguns anos que me colocou nesse rumo do näo rumo a fim de tentar amenizar um sentimento de querer "engolir o mundo",  de "beber o mar" (termos dijavânicos). Aliás se eu tivesse que escolher um trecho "djavânico" que explica um pouco disso seria esse:


 As vezes a gente acorda acreditando no mundo, acreditando que vale a pena a lutar arduamente por coisas boas que já vimos acontecer ou acreditar que algo novo de bom esta por vir. Mas "por la noche" esse sentimento se deixa esvair.  "Le matin je fais des projets et le soir je fais des sottises", ( de manhä tomo boas resoluçöes e de noite faço tolices ).

 Mais vinhos, outra noite, outra amiga e conversas sobre lívros e bobeiras filosóficas de buteco, e ela acaba soltando essa pergunta curiosa: - Você sabe o que é vagabundo?  
 E seguiu sua explicaçäo através de uma história onde um velho afirmava ser vagabundo e sustentava que vagabundo na verdade é o termo transformado de "vaga bundus" que significa Vagar o Mundo, alguma coisa assim. Fui pesquisar o termo e achei uma definiçäo melhor: Diz respeito a estrada. Sobre a vida fora dos limites da vida planejada.Sobre a confiança na seqüência de eventos aleatórios. Sobre atos imotivados de beleza.


Na época achei essa ideia menos interessante do que acho hoje, mas de alguma forma ficou gravado isso em mim, hoje eu diria que pelo mundo eu quero vagar. Näo quero mais salvar ninguém, näo quero mais ser salvo por ninguém, mas para acalentar minha inquieta alma preciso percorrer e registrar tudo ao sabor da arte, essa que agoniza como os sátiros cantando no altar a ser sacrificada aos Deuses das Moscas.

O meu canto de sátiro:
Eu diria que pelo mundo ...

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Cabeça Dinossauro!

Vou levar anos pra descobrir tudo o que tenho no meu hd externo, de tudo que me foi compartilhado encontrei a discografia do titas, quando eles ainda faziam rock naquela levada meio INXS,  que diga-se de passagem, era mais legal!






Às vezes qualquer um faz qualquer coisa
Por sexo, drogas e diversão.
Tudo isso às vezes só aumenta
A angústia e a insatisfação
Às vezes qualquer um enche a cabeça de álcool
Atrás de distração.
Nada disso às vezes diminui
A dor e a solidão.
Tudo isso, às vezes tudo é fútil,
Ficar ébrio atrás de diversão.
Nada disso, às vezes nada importa,
Ficar sóbrio não é solução.
Diversão é solução sim,
Diversão é solução prá mim.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Montevideo - O Museu




Construido por la compañía de fabricacion de pianos Playel de Paris. Presenta la tapa y los laterales pintados al verníz Martín con motivos alusivos a Luis XIV. Sobre la cara interna de la tapa está pintada la cabeza de Apolo rodeada de Rayos. Fue adquirido por la familia Ortiz de Taranco al rededor de 1920 y posteriormente donado al Estado en 1943. Durante más de 40 años permaneció en la residencia Presidencial de Suaréz y Reyes. Fue devuelto ao museo en Mayo de 2005. (Playel se tornou famosa por fabricar pianos para Chopin).



sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Um pobre ser mortal!



FAUSTO
Que sou eu, se não posso alcançar, afinal,
A coroa com louros da nossa humanidade,
A que todos almejam com tanta ansiedade?

MEFISTÓFELES
Não és mais, meu senhor, do que és: um mortal!
Perucas podes ter, com louros aos milhões.
Alçar-te com teus pés nos mais altos tacões,
Serás sempre o que és: um pobre ser mortal!

(FAUSTO - GOETHE)

Useless Landscape (Inutil Paisagem) .


Pelo talento, pela estética, pela honestidade com a arte.
Alguma coisa acontece na minha alma, quando ouço Esperança Spalding.


Nova descoberta:  Gretchen Parlato.
Duas monstriosidade, Juntas Cantando. 
Useless Landscape (Inutil Paisagem)", de Tom Jobim.
A primeira vez que conheci essa música foi na voz de Kurt Elling.
Numa versäo bem interessante, com o detalhe do violäo em bossa, os floreiros da gaita.
Ele faz uma mistura de Useless Landscape com Change Partners.

Já as duas "divindades", fazem uma brincadeira de uma segurar a base fazendo perfeitos harpejos enquanto a outra faz a melodia, depois invertem os papéis, com o detalhe de que a Esperança faz tudo isso tocando o baixo. Poucos sabem o quäo isso é difícil. Quase impossível e por isso Perfeito.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Uruguai - Montevideo - As Pessoas

Eu disse ao amigo Gabriel Monteverde: 
- Cheguei 10 minutos atrasado, perdi a donzela e perdi o instrumento. O bom moço chegou primeiro, comprou o instrumento e levou a moça que estava la, acabara de conhece-lo.
 Gabriel veio e disse um verso de Martin Fierro (poeta gauchesco), onde diz que se o oponente te desafia a pelejar e vir a sair melhor do que voce, entao tire o chapeu. (Alguma coisa assim, vou pesquisar e achar o poema).
 Nessa mesma tarde fui ate um sebo e achei um livro de Martin Fierro, tambem encomendei o instrumento que fica pronto nessa semana. So me faltou a donzela.
Atelie de Gabriel Monteverde/ esculturas artisticas musicais, construcao de instrumentos e muito conhecimento historico cultural.




  Andando a procura de um antiquario, acabei encontranto Jaroslav Mazura,  uma destinta senhora de uma bonita alma jovem.  Falava bem o portugues, pois se gabava por ter estudado numa universidade brasileira no Uruguai. Tecendo elogios ao nosso pais ela se revela feliz por saber que sou músico e näo hesita em recitar seus textos decorados, desde a época que costumava atuar no teatro. Saudosista e sorridente ela promete me trazer as peças que eu procuro, mas antes, ela fala da música que tocava em sua cena, algumas decadas atrás.
  - Funeral del Labrador, de Chico Buarque, ? tu conoces?
    Peguei o papel a caneta anotei, sabendo que cada encontro sempre quero beber cada gota de acaso ou de destino.
  Jamais me esquecerei que essa música de Chico eu conheci com Senhora  Jaroslav Mazura no seu antiquário em Montevideo, Uruguai.







Sobre dar voz as historias de pessoas desconhecidas.


  Seja pela melodia, pela poesia (para ele indissociável da música), pela dramaturgia, pela literatura, seja por todas as linguagens estéticas de que se serviu, encontramos a indignação e a reação do homem-artista que, como ele mesmo acrescenta: “o bom cabrito berra”.
  Isto é patente. Basta percebermos o trânsito de excluídos que sempre estiveram presentes na obra de Chico Buarque (muito antes da Ditadura e mesmo depois dela). Talvez, seja um sinal indiscutível desta sua indignação frente às mazelas humanas, a sua voz: “Eu falava através de personagens, enxergava através de outros olhos”
  Daí dar a palavra aos sujeitos desprezados pela sociedade que transitam pelo cancioneiro buarquiano, como o pedreiro de Construção, os marginalizados de O que Será, o camponês de Funeral de um Lavrador, o brejeiro de Vai Trabalhar Vagabundo, o operário em Samba e Amor, o expatriado em Sabiá, o plebeu em Gente Humilde, o garoto de rua em Pivete, os sem-terras em Assentamento e, recentemente, a emigrante em Iracema Voou.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

“Bagong Silang”

Parte do documentário “Bagong Silang” dirigido por Zena Merton, foi publicado pelo diretor de fotografia Stefan Werc. com essas imagens ele criou um extraordinário mini documentário “Above and Below” sobre a capital das Filipinas, Manila, uma das maiores cidades do mundo e que já atingiu a superpopulação.

Em Manila existe o cemitério Navotas que abriga mais de duas mil famílias, vivendo entre os mortos. Todos os dias nascem e são enterrados os habitantes do cemitério. Onde de uma forma poética, a vida para eles incia e termina no mesmo lugar.





Tenho convivido com muito filipinos, aqui no Navio eles sao maioria, acho que em todos os navios do mundo. A maioria do "Hard Work" e feita por eles. Mas muitos deles seguem carreira e chegam a 3 stripes de oficial.


                    Câmera:Canon 7D








domingo, 15 de janeiro de 2012

Costa Concordia / Acontece sim.



Acidente sofrido na madrugada deste sábado por um cruzeiro com 4.229 pessoas Na Ilha italiana de Giglio trajo.
Ao que parece o navio deveria estar a 9kl de distancia da ilha, mas estava a 1kl. O capitao tentou fugir mas acabou preso.




sábado, 14 de janeiro de 2012

Uruguai - Montevideo - A cidade

Estou me acostumando a me separar da turma! 
Quando estou sem a máquina tudo bem, vamos todos juntos, circulando, percorrendo, investigando o perímetro. Mas se estou com a máquina, acabou, vou no meu ritmo. 
 Na primeira parada pra fotografar, já me separei!!!  O engraçado é que sempre acabo encontrando parte do grupo novamente! 
O Uruguai é um país de colonizaçäo espanhola, tudo aqui cheira a antigo, as contruçöes, os carros, a arte, o povo. Nessa tarde eu me deixei levar e acabei por conhecer lugares maravilhosos, e algumas figuras esquisitas! 

 M    O    N    T    E    V    I    D    E     O         -       U   R    U   G   U   A   I




terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Natal - Nina Horta

NATAL

Não tem maior pavor do que ter que escrever sobre o Natal, ano após ano. Aliás, escrever sobre ele não tem problema, ver como a vida nos mudou é que dói. Porque os natais antigos, quando você ganhava o boneco e o carrinho de lata, mais tarde quando escondia os presentes para aquela meninada, era tudo de bom. Qualquer coisa tomava proporções de mágica, de sinos, de presepes fundadores, de água fresca, de comida boa, de alegria destemperada. O peru era vivo e cambaleante, os outros cheiros também embebedavam, adquiria-se uma perspectiva feliz em torno da família. Uma enfeitação que não tinha fim, árvore, bola, anjo, crianças representando autos de natal...
Aos poucos a cena vai mudando como naqueles palcos que rodam devagar e de repente você está sozinho ali no meio rezando por uma praia distante, da qual Papai Noel não conheça o endereço, sem GPS para as renas. Bom, a família próxima pode ir, mas muitas vezes ela já se adiantou e chegou primeiro ao deserto de Atacama.

E Jesus, como fica? É chato falar, mas perdeu a partida do consumo. Ele próprio deve andar evitando a data. Foge no dia.


E começa-se a tentar novos Natais. O da praia deserta é o primeiro, e a decepção a maior de todas. Muitos mosquitos, solidão total, medo de assalto, e conversas sem parar por Skipe com a família inteira o que o faz sentir meio bocó de se afastar de tudo para depois comemorar virtualmente.
Fingir que a data não existe e ficar na cama assistindo TV. Hooooje é o novo dia..... Quem é aquela que aparece logo no comecinho atrás de uma porta? E como o Juca de Oliveira está bem!Aquela morena da novela exagerou na cantoria e na alegria, pensou que era escola de samba.. E como são distribuídos os lugares? Quem fica lá atrás se chateia? Será que é por sorteio? Não é, a Débora Secco está logo na frente, não vi a Juliana Paes. Puxa, mas o Bonner dá um carteiro e tanto, jeitoso!

Ah, viajar naquele avião vazio, justo no dia de Natal, fuga impensada em tempos passados. Que avião vazio? É o dia mais cheio do ano! Todos descobriram o golpe.

Então, tá. Ficar em casa, fazer a comida tradicional da família, sentir saudade do bacalhau da mãe, tentar uma imitação que não chega aos pés porque não é o bacalhau da mãe, escolher uma comida bem fácil de se fazer na hora, porque tradição é igual telhado de Paraty, em menos de quatro anos adquire patina, musgo, e antiguidade. Três anos seguidos de camarão a provençal fazem dele um clássico brasileiro de primeira.

Quanto a presentes não dá mais tempo, bastava uma graça qualquer, um carinho, um modo de mostrar que você conhece bem o outro, que nada melhor para agradá-lo do que um caderno de folhas brancas e um lápis. Uma foto antiga do filho para a sua nora, mas não. Fazemos questão de não ter tempo, nem amor, nem tolerância, só cansaço. Vamos lá, quem sabe o palco roda de novo?


Hooooje é um novo dia, de um novo tempo que começou. Nesses novos dias, as alegrias serão de todos... É só querer, todos os nossos sonhos serão verdade...o futuro já começou. Hoje a festa é sua, hoje a festa é nossa, é de quem quiser, quem vier...




(Nina Horta).

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Um Tango, Um Jazz





Agora ar é ar e coisa é coisa:traço nenhum da terra celestial seduz nossos olhos sem ênfase onde luz a verdade magnífica do espaço. Montanhas são montanhas;céus são céus - e uma tal liberdade nos aquece que é como se o universo uno,sem véus, total,de nós (somente nós) viesse - sim;como se, despertas do torpor do verão,nossas almas mergulhassem no branco sono onde se irá depor toda a curiosidade deste mundo (com júbilo de amor)imortal e a coragem de receber do tempo o sonho mais profundo e.e.cummings ( tradução: Augusto de Campos ).


Buenos Aires 03/01/12.

Hoje andando pela metrópole de 13 milhöes de pessoas! Repetidamente me impunha o disco de um dos melhores guitarristas de jazz da atualidade, (um completo desconhecido para mim, até esses dias)  quando eu gosto eu tenho gula! Estou ouvindo o disco enquanto escrevo nesse momento - ainda). Lage Lung, sei pouco sobre o cabra, mas sei que quero me tornar um.
  As vezes ouço tanto, como se a linguagem fraseológica fosse incorporar em mim por simplesmente insistir em ouvir repetidamente. As vezes tenho raiva do "bit" da maturidade. Näo importa o quanto você se dedique, a maturidade é o ruminar das horas, dos dias e anos de depósito. Onde a técnica esbarra no no germinar do conceito, ela impöe seu próprio ritmo. Assim como uma árvore näo cresce mais rápido só porque você rega mais vezes. Mais fica sem regar pra ver.

  Voltando a metrópole, vim reparando que em todo grande centro urbano o cenário se repete: Monumentos, obeliscos, vastas praças arborizadas, säo co-habitadas de pombas sujas, junquies e nóias, vendedores de informaçöes turísticas. O mundo em sua maioria é feito de gente näo bela e näo rica, uma massa que se agita, a sair do trabalho suado.
 Vejo sacolas plásticas, trazendo o uniforme talvez, ou apenas uma peça de roupa pra criança ... näo importa, essa turbina feia do mundo é mais pulsante e sempre será, o  calçadäo chamado "Florida" ,daqui de Buenos Aires que o diga.
 É o desdentado tecendo suas pulseiras de artesanato, é a mulher que tem os pés invertido, quase que nem anda, säo os que tentam sobreviver das intençöes dos que passam, da agitaçäo, do volume. Estäo sempre a observar o movimento, como sempre soubessem (melhor do que você) o próximo passo a seguir, estäo sempre preparados a te dizer com total segurança: - você quer sim almoçar aqui!   - Você quer sim uma prostituta, ou ainda, - olhe só esses lindos dinossauros feito de arame.

   
Esses contrastes dividem a minha atençäo da parte bela da cidade, pensei estar na Sé por um instante, Näo apenas pelo cheiro de urina e o chäo grudento do centräo, mas porque 5 minutos de metrô muda tudo (assim como da Sé pro Jardins), avenidas largas, arranha-céu, a cidade fica um pouco mais arborizada, as lojas mais sofisticadas, pessoas mais descoladas, um penteado "cool" ali, um corte de terno mais atual acola, e logo me sinto na Europa da sul- América novamente! Näo importa metrópole é quase sempre igual. Gente que é, ilhada pelo turbilhäo de quem näo é, e nunca será.Já pensei que se todo mundo fosse logo todo feio näo haveria especulaçäo exagerada em torno disso, e principalmente, näo haveria "Malhaçäo" e "Maria do Bairro", onde a cidade toda é de gente guapa e desinibida. Exatamente igual a realidade!!! Rsss.
 Mas também näo haveria Jeniffer Aniston e nem Evangeline Lilly! Ai, fico confuso e prefiro deixar assim mesmo.


Meu papel dentro desse palco?
Observar, registrar, perceber, diluir sentimentos, imprimir as minhas impressöes e expressöes.
 
As vezes o tédio do sujo, as vezes o asco do limpo.
   Sim, sim, sofisticar é preciso, hotel caro sempre será bem-vindo,  mas dormir numa barraca no quintal de alguma república pode ser täo interessante quanto. Me admira os mochileiros, parece que essa "alegria de turista" neles  é sempre sabotada pelo sentimento de perceber, percorrer.
    Por hora admiro o encantado mundo das pulsaçöes diferentes. Porque sempre há a pulsaçäo, ela esta sempre em algum lugar esperando ser notada, buscando por olhos que as enxerguem no meio de toda dessa confusäo, caminha transvalorada em qualquer terreno, sujo, limpo, belo ou feio, rico ou pobre. Tal como uma escala "out side" tem todo o direito de näo fazer juz da harmonia em questäo, e ainda sim soar muito belo aos ouvidos ...
 Tudo isso me soa dissonante, comparado a tríade natural de um acorde simples que é o puro escorrer das horas.

O jazz de noite, e o rock de madrugada costumam me esvaziar de tudo que a cidade imprimiu de dia, assim o dia seguinte está limpo para novas pulsaçöes.

domingo, 1 de janeiro de 2012

Licença Para Gostar. (Marta Goes)

Acho esse texto fantástico, e por acaso achei ele na net. Entäo faço dele meu mantra do "Brand New Year".

   Um amigo malicioso jura ter visto na estréia de um espetáculo moderníssimo, no saudoso Carlton Dance Festival, um jornalista influente perguntar com alguma ansiedade a sua editora, sentada na fileira em frente: “Nós estamos gostando?”. A história fazia parte do folclore das redações, nos anos 90. Acreditava-se, ingenuamente, que o mecanismo de copiar-impor opinião era a caricatura perfeita daqueles dois. Mas a piada nada tinha de exclusiva, dura até hoje e funciona bem em todos os territórios porque reproduz uma situação universal. Com olhos mais cínicos — ou apenas mais bem treinados —, pergunta-se hoje, casualmente, “nós somos a favor?”. Seja de transgênicos, de Paulo Coelho, de Big Brother ou de qualquer desses temas que dividem opiniões. É a senha para indicar que se pretende adotar, por conveniência, uma postura, ou melhor, impostura, que facilite a vida naquela circunstância. Gostar errado pode arranhar a imagem e reavivar atritos desnecessários.

  O que parecia uma “inside joke”, ou brincadeira de turma, desdobrou-se em muitas versões: além do absurdo “estamos gostando?”, pergunta-se se temos licença para gostar, se somos contra ou a favor de alguma causa ou, mais explicitamente, se devemos gostar de alguma coisa. Qualquer que seja o enunciado, a brincadeira é saudável. Deixa aparentes as pequenas ditaduras do bom gosto e a complementar subserviência.

  Cada um de nós conhece pelo menos uma dezena de pessoas que, neste exato momento, não está lendo livro nenhum. Conhecemos também gente que só lê se for indispensável. E, no entanto, nas seções O Que Você Está Lendo? não há entrevistado que não tenha livro de cabeceira, clássico predileto, pacote para ilha deserta e que não esteja lendo três ou quatro títulos naquela semana. Por escrito, nunca vi alguém afirmar que não leu Euclides da Cunha, que não conseguiu gostar de Proust, que tem medo de filme iraniano, que não tem intimidade com música clássica, que acha Kazuo Ohno meio esquisito e John Cage chato, que gostaria que as obras das bienais tivessem legendas explicativas, que desejou que o último espetáculo de Pina Bausch tivesse meia hora a menos…

Finlandeses e argentinos

  Os códigos são conhecidos. Trata-se de não destoar. O clichê das pessoas que lêem Caras “no cabeleireiro” e que viram cenas da novela das seis “por acaso, quando estavam passando pela sala” é apenas a ponta mais visível desse iceberg. A maioria esconde suas preferências com medo da maldição. Se a lista não tiver mudado, é permitido gostar, por enquanto, de jardins minimalistas, de casas clean, de mulheres magras, de sabores exóticos, de exercício físico, de cabelos lisos, de sandálias havaianas. Pelo menos enquanto elas forem vistas em lugares caros (como informar, com uma sandália baratinha, que você tem dinheiro? E sem dinheiro, vai ser difícil saber se podem gostar de você).

  No mundo da cultura, pode-se gostar de tudo, desde que já tenha sido aprovado anteriormente. Por isso, queixa-se uma amiga editora, é mil vezes mais fácil lançar um autor estrangeiro traduzido, que já vem com seu clipping repleto de autorizações para gostar, do que um escritor nacional novo. Desconhecidos necessitam de alguma chancela — um admirador famoso, uma boa crítica, de preferência no exterior. Mas, por uma estranha razão, desconhecidos estrangeiros têm precedência sobre desconhecidos nacionais, assim como estrangeiros do Hemisfério Norte passam na frente dos do Hemisfério Sul.

  Por isso, uma banda finlandesa ganha mais facilmente a capa dos nossos segundos cadernos do que uma argentina. Bandas finlandesas — e certas críticas de artes plásticas — servem, provavelmente, para sugerir um mundo cult ao qual só têm acesso um punhado de felizardos e o autor do texto. O consolo é que ao contrário das críticas incompreensíveis, que permanecem para sempre incompreensíveis, as listas do que se deve gostar estão sempre mudando, e certas obras, inicialmente repudiadas, conquistam com o passar do tempo o direito à admiração. Na época em que se devia gostar de Portinari, ele decretou que os móbiles de Alexander Calder eram apenas brinquedos, e não arte. Portinari não foi feliz, mas pelo menos tinha licença para não gostar de uma obra tão venerada.

  Calder, é claro, não precisava de mais admiradores, mas os marginais do bom gosto dependem do apoio de nomes de peso para sair do exílio, ainda que momentaneamente. É preciso ser Caetano Veloso para tirar Odair José desse lugar; é preciso ser Diogo Vilela e lotar teatros para que o grande público se sinta autorizado a orgulhar-se de Cauby Peixoto, e perceba que um musical sobre sua vida faz muito mais sentido aqui do que a Bela, a Fera e o Fantasma da Ópera juntos. Também os esquecidos precisam, uma vez ou outra, de alguém confiável que garanta que podemos gostar deles sem risco de parecer antiquados. Quando Marília Pêra debruçou-se sobre Ary Barroso e descongelou seu tesouro, muita gente já estava quase perdendo a licença de admirá-lo.

Simples ou simplório

  Na hierarquia do que é permitido gostar, a simplicidade é alvo de grandes desconfianças. Clareza, precisão, começo, meio e fim podem ser confundidos com pobreza e obviedade. A exemplo dos críticos crípticos, admira-se o enigma, mais do que a compreensão. Intrigar vale mais do que comover. Pelo menos até que uma história simples e bem contada, como, recentemente, a do filme O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias, nos faça lembrar que em algum lugar recôndito somos ainda verdadeiros e reagimos sem instruções.

  A necessidade de permissão para gostar acontece em todas as áreas. Na gastronomia, franziram o nariz para a opulência da velha cozinha quando surgiram as combinações surpreendentes e frugais de outra mais recente, a nouvelle, de cujas virtudes se desconfiou diante da pureza dos produtos orgânicos, que pareceram ingênuos, se comparados a novas delícias, em forma de flor, de nuvem, de bolha de sabão. Como se sabe, a fila dos gourmets anda depressa, e é desejável que seja assim — desde que ninguém tenha vergonha de pedir feijoada nem se sinta obrigado a engolir poções misteriosas só para parecer up-to-date. Como escreveu Nina Horta num de seus artigos, “é bom que exista de tudo, mas podem deixar que a gente mesmo escolhe”. Essa reivindicação devia ser repetida como um mantra, não apenas para a gastronomia, mas para a vida.

  Não há nada de nostálgico nessas considerações. Nunca existiu a época em que cada um consultava apenas a si mesmo para aprovar ou reprovar o mundo à sua volta. Por canais mais sutis e aparentemente casuais, os códigos do gosto sempre se fizeram obedecer. O que há de novo são mecanismos aperfeiçoados de dominação. Três listras paralelas querem dizer Adidas e isso é tudo o que uma multidão de consumidores necessita para saber se pode ou não achar bonito um tênis. O que há de velho é o desejo de dominar e a pressa em concordar com o mais forte.

  E o que há de animador: de vez em quando alguém se rebela, rompe a rede sutil de licenças e proibições e inaugura seu próprio código. Pode ser considerado louco ou, eventualmente, um gênio. Problema dos outros decidir se vão ter licença para gostar. De ler.”

(Texto da jornalista Marta Góes a revista Bravo, achei na integra)

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Projeçöes del Fragmentos

    
   A festa aconteceu numa casa, possivelmente a minha. Meia luz, na vitrola um tema de bossa-jazz, dos anos 50, "agua de beber" cantado por uma gringa, na capa do disco estava escrito, Janet Seidel - The art of Lounge, mas eu nunca tinha ouvido isso antes.
   Pessoas rindo, se cortejando, o que festejavam eu näo sei, algo que eu fiz, ou por eu ter retornado, talvez, näo sei. Ao adentrar a sala, todos os olhares me percorreram, as cinco ou seis rodas de conversas, passaram a me olhar, na espera de um comprimento. E assim fui eu, percorrendo as rodas de amigos, eu sabia onde eu queria chegar, só uma pessoa nessa festa me interessava.
   Ela estava do meu lado esquerdo, perto da porta de entrada mesmo, eu t
inha que percorrer todo o caminho pra tentar chegar nela novamente. Enquanto todos me olhavam, eu ia vagando comprimentos suaves, sem muita demora, pois meu pensamento estava em apenas chegar nela, ela que estava linda, e também a minha espera. tínhamos contas pendentes para acertar. O fim do nosso relacionamento havia sido traumático ,porém, maduro. Näo tivemos chance de discutir o porque, Nem queríamos, apenas nos deixamos fluir nosso desencontro, assim como o baläo escapa de uma menina no parque de diversöes.
   Quando eu estou no fim do último grupo de amigos, me deparo com outra pessoa, que também tinha contas. Essa por sua vez, sabia da minha intençäo, e de minha pressa. Ao passar politicamente saudando a todos, essa outra, me segura pelo braço, e exige um comprimento diferenciado, mais demorado. A atençäo que estava reservada, agora estava sendo saqueada. Em nenhum momento eu pensei em entregar fácil essa atençäo e a defendi com todas as minhas forças. Nessa noite eu sabia exatamente onde eu queria estar.
   Do meu lado esquerdo, ainda estava ela, solene a me observar, apenas percebendo minha reaçäo diante da saqueadora de atençöes alheias, uma oportunista cheia de boas intençöes, que de täo boa te desarma. Ela era uma boa moça. Mas sempre soube que dentro de sua bondade havia armadilhas e correntes.
   Olhares se cruzam sem parar, enquanto alguns ainda esperam meus comprimentos, apenas três pessoas sabiam apenas com olhares o que se passava nessas nossas cabeças cheias de intençöes.
   Como um bom moço polido, consegui me livrar dessa boa moça que me prendia, dei uma desculpa qualquer, e sai, pedi lincença e fui em direçäo a Ela. Ela que observava quieta, estava linda, toda comportada, paciente, sem fazer movimentos largos, ela segurava sua taça de vinho, eperando um último gole que restava. Toda de vermelho e com cabelos cacheados ela rodava a taça e seu fiapo de vinho tinto, como uma gata em suas poses de charme que se poe sonolenta, adormecida mas ainda balança levemente o rabo, para dar um sinal de que ainda se esta atenta a qualquer movimento.
   Meu sorriso se abriu ao me desvencilhar da boa moça, agora eu caminhava em direçäo a moça perigosa, a donzela misteriosa, aguardávamos o acerto de contas.


   Me aproximo dela, ela fica em pé pra me receber, entäo atravéz de nossos olhares se fez notório que no nosso peito estava a bater de forma contagiante todos os tambores de uma escola de samba inteira esta a festejar o título de carnaval do ano.

     Entäo eu abraço ela bem forte, bem apertado, e assim ela me retribui,
 A festa segue radiante, desapercebida, eu ainda comprimentando abraçado começo a falar ao pé do ouvido o quanto eu estava feliz em reve-la, e o quanto eu desejava naquele momento conversar com ela e dizer tantas coisas que näo disse, por medo, por manobras que eu julgava täo necessárias, jogos de estratégias, defesas, ... ou por simplesmente ter me entregue ao vazio, ao acaso dos fatos em sua total liberdade.

  Ela também se poe muito feliz e segue me ouvindo. Quieta recebe o meu abraço.
   Ainda em pé, eu dou uma suave virada de cabeça sobre meus ombros e vejo a boa moça com olhar triste, mas ainda brilhante,
 me observava como que ja soubera que suas redes de bondade já näo funcionara, Ainda sim ela segue disfarçando numa conversa entre amigos.
    A festa continuava com suas luzes diminutas, a música os murmuros de conversa vindo dos amigos pareciam nem tomar o conhecimento de que o universo naquele instante estava
rodando mais lento pra nós, isso tudo recriou o ambiente perfeito para continuar falando sem ser notado.


 Sentamos no sofá de canto em meio a pessoas ainda em pé,
 Entäo continuei a dizer coisas em seu ouvido.
 Como numa longa saudaçäo de pessoas que se volvem após 20 anos de separaçäo.
 Seguimos satisfeitos apenas por conversar.
 Depois de algum tempo, eu percebi que as duas moças eram a mesma pessoa.

A "boa moça" era a moça com quem eu estive.

  A outra "ELA"  é moça como supostamente ela se encontra hoje.


Insone
Sonho 26/12/11.